No escutismo e em particular no Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português (CNE) as palavras: Boa Acção (BA), Solidariedade e Voluntariado estão transversalmente presentes no discurso, na bibliografia e no que garbosamente chamamos de: Espírito Escutista!
É com grande afinco que todos os Àquelas motivam os seus pata tenras e lobitos para a BA diária; para o tradicional desfazer do nó - dado em cada noite, com as pontas do lenço, antes de dormir - ritual que apenas pode ser efectuado após o cumprimento do preceito: "Fui útil!".
Também os escuteiros se afirmam úteis e "praticantes" de uma boa acção diária! Fazem desta verdade de vida artigo da sua Lei.
Reconhecemos facilmente na figura dos escuteiros pessoas solidárias. Pessoas activas na sociedade que assumem a ‘responsabilidade recíproca entre os elementos de um grupo social, profissional, institucional ou de uma comunidade’. Este “ser solidário” que apela ao desenvolvimento da responsabilidade para e com a comunidade é sem dúvida um dos desafios dos nossos exploradores. O bem comum, cuidado e partilhado, fomenta-se no verdadeiro espírito de patrulha e na projecção do povo que caminha junto para poder ir mais longe. Todo o chefe de expedição tenta que as suas patrulhas tenham a experiência de colaborar com o Banco Alimentar nas recolhas semestrais ou com os Vicentinos da sua paróquia numa distribuição de alimentos pelos mais necessitados. Não são grandes actividades de compromisso, mas ajudam a fazer caminho: “estou consciente de que tenho um papel na sociedade e sou co-responsável com e pelos outros”.
Muitas vezes somos identificados como uma associação de voluntários… não é bem isso, mas... vá… o voluntariado é coisa que nos assiste!
Não somos de facto uma associação de voluntariado, mas todo o chefe de comunidade ajuda o seu conselho de guias a discernir uma actividade de médio ou longo prazo onde as equipas, ou os pioneiros individualmente, se possam empenhar em dar um pouco de si aos outros, contribuindo de forma desinteressada, segundo um projecto bem definido, para o objectivo lato de melhorar a vida do indivíduo, famílias ou comunidades. É muito importante referir neste momento que em Portugal existe uma lei de enquadramento do voluntariado explicitando no ponto dois do seu primeiro artigo: ‘Não são abrangidas pela presente lei as actuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança’ - é fundamental interiorizarmos que as actuações desinteressadas se isoladas ou esporádicas não são voluntariado.
Poderão ser importantes, altruístas e até impactantes mas terão de ter um outro enquadramento.
Será assim, sem dúvida, o voluntariado dos pioneiros, uma das ferramentas mais importantes na construção da cidade, no desafio de crescer e ser actor principal desse crescimento.
Pois bem, se no escutismo temos a espiral em trės dimensões - além de convergir para um só centro também se eleva - como um dos símbolos do crescimento que queremos ajudar a promover, não poderá para um caminheiro o Serviço ser menos do que tudo isto:
- pessoal e comprometido;
- para o outro e transformador;
- regular e gratuito…
e por maioria de razão terá de Ser Mais!
Mas afinal o que é o Serviço?
Isso são contas de outro rosário. Por hora fica a proposta: BA; Solidariedade; Voluntariado - um caminho para o Serviço.
04.X.2018
Leão Honrado

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